quinta-feira, 15 de maio de 2014

RANCHINHO DE TAIPA ONDE MORA A FELICIDADE



Cruz. Na zona rural do Município de Cruz, a 300km de Fortaleza, Zona Litoral do Extremo Oeste do Ceará ainda encontramos habitações modestas, onde mora a felicidade e a paz, onde a natureza e as gentes simples do campo trabalham e vivem em perfeita harmonia com a natureza.
Casa de taipa

Ranchinho de palha
Que abriga você e eu
Onde tudo é amor
Onde o chão é de areia
Onde nós dois se agasalha
Nesta casinha tão feia
Mas pouca gente é feliz como nós
                             Luiz Gonzaga


Tive a oportunidade de visitar toda a zona rural do Município de Cruz. Estive em todas as comunidades rurais, que são mais de 40 em todo o Município de Cruz. Visitei mais de 500 residências conversando com as famílias, dialogando com eles e ouvindo suas histórias, seus lamentos, reinvindicações, mas também presenciei momentos de alegria, confraternização e solidariedade entre esta gente humilde do campo. Gente humilde que ainda bota as cadeiras nas calçadas, alpendres ou latadas para prosear com a vizinhança e botar as notícias em dia. Encontrei muitas mulheres reunidas que ainda preservam a cultura de trabalhar com linha fazendo as tradicionais varandas de parede. Vi o exercício deste oficio nas comunidades de Porteiras, Pitombeiras, Lagoa Salgada e Canafístula.
Casa típica da zona rural

Na agricultura, as plantações estão muito diversificadas e em diferentes estágios de desenvolvimento, pois, enquanto uns já fazem colheitas de milho e feijão, outros estão nos primeiros estágios de desenvolvimento de sua lavoura. A irregularidade das chuvas, no tempo e no espaço, não permitiu uniformidade nas plantações, fazendo com que muitos agricultores tenham que pedir por mais chuvas até o tempo da colheita. Os métodos tradicionais de práticas agrícolas ainda estão presentes em suas atividades, pois juntas de bois inda ajudam na lida do campo tracionando arados para capinas e revolvimento dos solos agrícolas.
Habitação rural
O camponês é gente simples, humilde e acolhedora, alguns sisudos, mas, gente boa; enquanto outros são alegres a extrovertidos. Sempre a recepção vinha acompanhada de um aperto de mão, uma xícara de café, um doce caseiro, melancia ou mesmo um simples copo de água fresca de um velho e tradicional pote de barro. Tudo servido com muita satisfação. Foi um momento de reencontro com amigos que não os via, já fazia algum tempo.
Casa de taipa na cidade de Cruz-CE
 Confesso que muitas vezes fiquei emocionado, pois, fazia-me voltar no tempo, e relembrar da época da minha vida no campo, no Sertão do Rio Grane do Norte, na zona rural da minha querida Augusto Severo-RN, quando fazia estas mesmas atividades, com a pele ressecada pelos raios do sol, que provocava um calor intenso e abrasador, e as mãos cheias de calos, produzidos por rudimentares instrumentos de trabalho: foice, enxada, machado e marreta.
Que fazia eu, então, com estas visitas?
Estava visitando os camponeses inscritos no Programa Nacional de Habitação Rural, um Programa do Governo Federal que visa construir casas populares para quem não tem casa ou habita em moradias inadequadas ou ainda para aqueles que moram em casas alugadas ou de favores, ou até mesmo para resolver a situação de várias famílias que compartilham o mesmo teto.