sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

HUMILDE VAQUEIRO PEGA COBRA E VIRA CELEBRIDADE




Cruz/CE. O Vaqueiro nordestino Dione dos Santos Sousa, conhecido por Dione Vaqueiro, 24, solteiro, além de trabalhar na lida com o gado, também é amante das corridas de mourão e participa de vaquejadas esportivas na região do Litoral Norte Cearense e tem conquistado troféus.

Dione Vaqueiro nasceu na localidade de Cajueirinho, Zona Rural do Município de Cruz, distante 30Km da cede do Município, um pequeno vilarejo onde as pessoas vivem basicamente da cajucultura, sua principal atividade econômica. Logo cedo, Dione Vaqueiro despertou interesse pela labuta com o gado e derruba do boi. Calmo, voz mansa, jeito tímido, diz que já trabalhou em várias fazendas de gado do interior cearense, inclusive em Quixadá, a Terra dos Monólitos e da Escritora Raquel de Queiroz. Ele diz que o trabalho e a paixão por vaquejadas dificultavam o acesso à escola, mas, mesmo com dificuldades, concluiu o Ensino Médio. Após algumas andanças por várias fazendas de gado pelo interior cearense, retornou para sua terra natal onde mora com seus pais Sr. Edmar e Dona Celeste e, nas horas vagas, trabalha na construção civil exercendo a atividade de pedreiro. Dependendo da situação, ele já exerceu várias outras atividades laborais como forma de sobrevivência.

Dia 29 de dezembro, moradores da comunidade vizinha de Lagoas dos Monteiro encontraram uma grande cobra dentro de uma cacimba, um tipo de poço muito usado pelos moradores da zona rural para captura de água. Logo a notícia se espalhou pelas comunidades vizinhas, quando uma moradora de Lagoa dos Monteiro por nome de Patrícia postou as primeiras imagens da internete. A Professora Márcia Freitas, que é Coordenadora Ambiental da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida – COMVIDA – da Escola Municipal Joaquim José Monteiro, foi ao local, tirou algumas fotos e postou na internete. 
 
As pessoas começaram a mandar mensagens pela internete e WhatsApp dando apoio e orientação de como salvar a cobra. Ligaram para órgãos ambientais, mas, não lograram êxito. Mas, enquanto a solução não vinha, moradores jogavam água e alimento para sobrevivência do animal. Ninguém poderia imaginar que a solução se encontrava logo ali bem pertinho na Comunidade de Cajueirinho. 

Foi quando Dione Vaqueiro soube do que estava acontecendo e foi até o local, na companhia da amiga Edinádia, que também é vaqueira, levando cordas e outros equipamentos e se dispôs a resgatar a cobra. Com muita disposição e coragem, desceu dependurado em uma corda para fazer o resgate do animal. Na descida, ele conta que passou por um exame de abelhas de ferrão, mas, por sorte, não foi atacado. Ao se aproximar da cobra, ela não foi muito receptiva e jogava bote. Logo após acalmá-la, conseguiu laçar, saiu da cacimba e retirou o animal. 
 
Os companheiros, com medo da cobra, trataram logo de fugir para bem distante. Após examinar a cobra, Dione Vaqueiro constatou que se tratava de uma cobra-de-veado, de nome científico Corallus hortulanus que não possui nenhum tipo de veneno que possa afetar ao homem ou outros animais que vivem próximo da mesma. Geralmente, esta espécie de cobras é vista enrolada em galhos de árvores e alimenta-se de pequenos animais e que era muito comum encontrar estas cobras em suas andanças pelo campo na lida com o gado e que nunca procurou matar estas cobras, pois, entende que são animais inofensivos e que fazem parte da natureza devendo ser preservadas. Fez uma estimativa de que a cobra media 2,10 metros de comprimento e pesando cerca de 15Km.
Algumas pessoas eram da opinião de que a cobra deveria ser morta, mas, ele a levou para um local de mata, bem distante das residências e espera que as pessoas que venha encontra-la procure preservar a vida da cobra seguindo o mesmo sentimento de preservação da natureza como ele praticou.  Como o local aonde soltou a cobra fica ao lado do Aeroporto Internacional de Jericoacoara, espera que ela pegue um avião e vá para a Floresta Amazônica (cic), brincu ele.