sábado, 5 de abril de 2014

Tiro de Guerra de Mossoró – Parte III

Por: José Mendes Pereira

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano:

Amanhã, 7 de Setembro de 2013, estará completando 43 anos que nós fizemos a primeira marcha oficial pelo Tiro de Guerra de Mossoró.


jotamariatirodeguerra.blogspot.com

Quem está de fora pensa que prestar serviços militares às Forças Armadas é moleza. Mas na verdade não é. Os sofrimentos são terríveis, cobranças por qualquer erro; uma palavra ou resposta dada aos superiores é preciso que seja calculada o tamanho e seu peso, pois poderá pagar caro por isso. 


Fonte: https://www.facebook.com/raimundo.feliciano.1?fref=ts 

Você meu amigo Raimundo, foi um que não media as suas palavras, e por isso, sempre estava escalado para faxinar.

No dia 7 de Setembro de 1970,  ali, no meio das Ruas de Mossoró, nós estávamos desfilando para a população nos aplaudir. O sol escaldante nos deixou com a pele frágil no meio daquela multidão.

Passamos alguns dias treinando o que deveríamos fazer no momento da nossa entrada às ruas; quem iria seguir à frente, puxando as três turmas de atiradores; as exigências feitas pelos sargentos, às advertências para conservarmos os passos sem erros; as fardas limpas e bem passadas; os coturnos reparados pelo sapateiro, batendo os pregos...; os gorros postos às cabeças, um pouco de lado, cintos com as fivelas brilhando. Estes cuidados teriam que ser cumpridos, e ai daquele que chegasse ao TG sem estas exigências.

 
fabreunews.blogspot.com

Para o reparo geral das nossas fardas, muito agradecemos à dona Maria de Lourdes Medeiros (aqui abro um parêntese meu amigo Raimundo Feliciano, para lhe comunicar que hoje, às 10 horas desta manhã, recebi informação que dona Maria de Lourdes de Medeiros faleceu ontem em Mossoró, e que Deus a tenha em um bom lugar), zeladora da Casa de Menores Mário Negócio, que sempre teve o cuidado de examinar todo o nosso uniforme, costurando aqui e ali, porque nós vestíamos fardamentos usados pelas tropas de Natal, e geralmente já estavam bastante surrados.

Com experiência da sofrida marcha de 7 de Setembro, no ano de 1970, fiquei tramando um jeito de me livrar do 30 de Setembro, sendo que este só é comemorado  em Mossoró.


http://www.walterbatista.com.br

Já bem próximo a esta comemoração, isto é 30 de Setembro, fui até ao sítio do meu pai, e lá, casualmente, fui atingido na perna (canela), por uma ponta de pau, conhecido por "estrepa cavalo", ficando um pedacinho alojado na carne, e até supurava um pouco.

Como eu planejava não marchar naquele dia, não fiz tratamento e nem procurei um médico para consultá-lo, porque se eu tentasse tratar o ferimento, com certeza o sargento Gumercindo não me liberaria daquela sofrida marcha.

Mas me enganei por completo. Um dia antes, eu fui até à presença do Sargento Gumercindo, para lhe apresentar o ferimento na minha perna. Mais o resultado foi negativo. Não me dispensava de jeito nenhum da marcha. 

E lá, verbalmente ele me bateu forte, chamando-me de relaxado, manhoso, desastrado, preguiçoso, que eu deveria ter cuidado do ferimento antes, que isso sempre acontecia com certos atiradores, tentando ludibriá-los. “- Tem que marchar do contrário você irá para a tropa de Natal”.

No dia seguinte, lá eu estava marchando com a tropa. O sargento tinha razão. O ferimento na minha perna não era  tão grave assim. Era manha mesmo.

Minhas Simples Histórias 

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro. 

Fonte: 
http://minhasimpleshistorias.blogspot.com 

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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Tipos populares do Mendes

Por José Mendes Pereira

"Tenho o prazer de registrar neste blog este artigo do grande escritor Clerisvaldo B. Chagas, lá da cidade de Santana do Ipanema, no Estado de Alagoas, que jamais eu esperava que um dia, sendo ele dono de uma rica autobiografia elogiasse os meus humildes trabalhos em seu  blog: http://clerisvaldobchagas.blogspot.com". 

Clerisvaldo B. Chagas, 2 de janeiro de 2013. Crônica Nº 939



Tipos Populares do Mendes

Escreveu o escritor: 

Lendo o artigo de José Mendes Pereira no seu blog no qual participo (com muita honra) e o acompanho, deparei-me com Pedro Leão. Pedro Leão era um personagem popular, comerciante com suas manias, com seu modo de vida diferenciado que, esquecido, caiu no resgate da perspicácia do Mendes no seu blog: (blogdomendesemendes.blogspot.com.br).

 
Imagem - Wikipédia: Da esquerda para direita 1 - Palácio da Resistência - 2 - Igreja de São Vicente - 3 - Rio Mossoró - 4 - Catedral de Santa Luzia - 5 Cidade Mossoró  

Primeiro, é feita uma reflexão sobre os registros da história elaborada mais para elite, enquanto os atores secundários da vida vão passando e ficando esquecidos. Aqui, acolá surgem escritores, jornalistas, colunistas, preocupados com o cotidiano das ruas e passam a observar tipos curiosos da cidade que irão posteriormente para anotações. Na minha terra têm pessoas que resgatam esses tipos populares inusitados, o bêbado, o doido, a prostituta, o estudante, o comerciário que chamam a atenção pelo modo diferente de ser.

José Mendes, lá para as bandas de Mossoró, teve sua atenção despertada para o comerciante de ferragens Pedro Leão e seu hábito de beber cerveja após o meio expediente. O modo de contar as cervejas bebidas e os tira-gostos trazidos para o lápis do garçom tinha mesmo que ser registrado por alguém. Como contabilizar os tira-gostos contando por apenas uma perna de cada rolinha digerida e, as cervejas, pelas tampas, ao invés de garrafas vazias? Somente lendo o Mendes no seu artigo “Pedro Leão”, de 17 de julho de 2011, o prezado leitor ficará sabendo. 

Todo o Nordeste é rico em historietas de personagens locais interessantes. Aqui em nossa terra, amigo José Mendes Pereira, certo comerciante não conseguia receber os fiados anotados em um caderno. Chamou, então, um sujeito, muito engraçado, músico e que gostava de contar passagens bonitas. Fez-lhe uma proposta de 50% do pagamento recebido dos fiados, se o músico conseguisse receber dos seus clientes. Fechado o negócio, o esperto, que se chamava Lourival Amaral, não deu tréguas aos devedores do comerciante. Recebia as dívidas de qualquer maneira: em dinheiro, em aves, bezerros, porcos, galinhas e assim por diante, mas nada de aparecer perante o dono do comércio. 

Cansado de esperar o resultado, o comerciante procurou o músico e perguntou-lhe sobre o negócio. Este respondeu que tinha conseguido receber apenas 50%. “E aí, como ficamos?” “Bem ─ respondeu o músico ─ recebi apenas a minha parte, os 50% combinado, o restante eu desisti”. 

Amigo José Mendes Pereira continue registrando esses fatos inéditos da terra que expulsou Lampião e enfeixe-os num livro de coisas engraçadas. Mossoró há de reconhecer o seu trabalho. Eu mesmo quero ler mais histórias dos TIPOS POPULARES DO MENDES.

Autobiografia do autor:
Clerisvaldo B. Chagas – autobiografia
Romancista – Cronista – Historiador - Poeta 

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo ( Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antonio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966.Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Retornou novamente a sua terra onde foi pesquisador do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na AESA - Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo CESMAC – Centro de Estudos Superiores de Maceió (2003). Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas, São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei.  Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º  teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL.

Em sua trajetória, Clerisvaldo Braga das Chagas, adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance - 1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados). 

Até setembro de 2009, o autor tentava publicar as seguintes obras inéditas: Ipanema, um Rio Macho (paradidático); Deuses de Mandacaru (romance); Fazenda Lajeado (romance); O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema(história); Colibris do Camoxinga - poesia selvagem (poesia).

Atualmente (2009), o escritor romancista Clerisvaldo B. Chagas também escreve crônicas diariamente para o seu Blog no portal sertanejo Santana Oxente, onde estão detalhes biográficos e apresentações do seu trabalho. 

http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/2013/01/tipos-populares-do-mendes.html 

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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não tivemos vida boa, mas nós éramos felizes

Por José Mendes Pereira
  

Nós éramos 16 irmãos, sendo 10 mulheres e 6 homens, todos  do  mesmo casal, nascidos entre as várzeas à beira do rio do Carmo, na localidade Sítio Mururé (Barrinha), pertencente à família Duarte, mas esta propriedade em que nós morávamos era do senhor Manoel Duarte Ferreira,


 Manoel Duarte Ferreira - Assassino do cangaceiro Colchete 

o homem que na tarde de 13 de Junho de 1927, em Mossoró, assassinou o facínora Colchete, e além deste, deixou gravemente ferido o cangaceiro Jararaca.

Ao centro -  o cangaceiro Jararaca, ladeado por policiais 

Apesar das dificuldades que nos visitávamos constantemente, por não termos alimentações nutrientes, exceto o leite de cabra, e o queijo, como todos os camponeses, o grosseiro nós tínhamos, e franco, mas vivíamos felizes.

A casa que nós morávamos era construída de taipa, virada para o nascente, e um pé de cajarana cobria uma boa parte do terreiro da frente, além de outro, que mesmo sendo menor, protegia os fundos da cozinha.

Além do leite e do queijo a  nossa alimentação vinha da colheita de milho, feijão, jerimum, melancia, melão..., isso quando o inverno era farto, mais ainda, eram sacrificados bodes, galinhas, ou caças, quando nós resolvíamos desobedecer as ordens do meu pai
 
Foto: PEDRO NÉL PEREIRA
Por José Mendes Pereira
Meu velho pai. Pai que não nos maltratou, sempre estava pronto para resolver os nossos problemas e de quem dele precisava. Nunca aprendeu dizer o não a ninguém. Nunca abriu a boca para dizer palavras horríveis, sempre agradecia a Deus o bom e o ruim. Não queria que nenhum de nós filhos criasse desamizade com ninguém. 

O que ele queria era que nós vivêssemos em paz com todos, mesmo que alguém nos feríssemos, era para perdoarmos. Dizia ele que quem resolve coisas que venham machucar é Deus e mais ninguém. 

Saudades do meu velho pai. Se conversava com um filho não chamava de você, era o senhor. E o tratamento com  filha era: "A senhora ou a senhorita", igualmente com a minha mãe. Ele a tratava de senhora ou dona Antônia. 

Valeu meu pai! O senhor se foi para eternidade, mas tenho certeza que adquiriu um bom lugarzinho lá. 

Diz o poeta que morreu não é o fim. E se não é "O FIM", o senhor continua vivendo, mas a vida eterna. 

CLIQUE NO PRIMEIRO LINK:
http://www.youtube.com/watch?v=F0SpbY-4ZGA
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Pedro Nél Pereira, era como ele gostava de ser chamado, o nome completo e seus netos, filho da Carminha Mendes: Pedro Neto, Ingrid Rocha Deyvid Thiago e Dayanna Magda
Pedro Nél e seus netos 

Pedro Nél Pereira, que ele não queria que nós fôssemos às matas para matar os animais, como preás, rolinhas, iguanas,  asas brancas, que nesse período existiam em quantidade, e para que elas fossem capturadas, o mais fácil era ao clarear do dia, escondido em uma tocaia, na beira do rio ou de uma lagoa, assim que elas pousavam para beber água, apertava-se o gatilho da espingarda, com certeza algumas delas ficariam mortas, e outras tentavam voar, mas infelizmente estavam baleadas, e eram capturadas facilmente.

Assim que o inverno terminava e fazíamos a colheita, a partir de Julho, estendendo-se até o início do ano seguinte, todos estavam ocupados com o corte de palhas da carnaubeira, exceto a lavoura, geralmente era uma das atividades mais produtiva para o camponês.

Foto
Antonia Mendes, filha e netos 

Lembro-me do momento das nossas refeições, e que não tínhamos mesa, e ali, ao redor de uma esteira fabricada com a palha da carnaubeira, sobre o chão, nós sentávamos em pequenos bancos, enquanto a minha mãe fazia a divisão do alimento, que à noite, geralmente era a coalhada com o pão de milho.

Mas antes, todos nós, em pés, rezávamos o "Pai Nosso", iniciado pelo meu pai, e ao término, todos abraçavam uns aos outros, mesmo que algum de nós tivesse tido uma confusão com outro irmão, era obrigatoriamente aquele abraço, isto era uma das exigências do meu pai. E era para ser cumprida; mesmo que ele não estivesse em casa, um dos filhos ou filhas iniciava o "Pai Nosso". 

Naqueles tempo, para quem era camponês o sofrimento era grande, já que não havia ajuda de prefeitos, governos..., só a graça de Deus e mais nada. Hoje é diferente. O homem do campo tem tudo, até mesmo carro em sua garagem. Mas muitos não sabem aproveitar a oportunidade que o governo dá. Aplicam a ajuda que recebem em coisas supérfluos, quando deveriam comprar gado, ovelhas etc.  

Mas dou os meus parabéns aos camponeses que tiveram sortes, e hoje vivem uma vida como a do homem da cidade. 

Minhas Simples Histórias
 
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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Tiro de Guerra de Mossoró - Parte II

Por: José Mendes Pereira
José Mendes Pereira

Meu amigo e irmão Raimundo Feliciano:

Sobre o Tiro de Guerra de Mossoró temos muitas coisas a relatarmos, e uma delas, os antigos e surrados fardamentos que nós recebíamos no TG. 

 
www.compararprecos.cc 
 
Naquele tempo, nenhum de nós teve o prazer de vestir fardas inteiramente novas, todas já tinham sido usadas pelas tropas de Natal, sujas, imundas, e muitas delas, além de rasgadas, eram necessária uma costureira repará-las, remendando-as aqui e ali, porque já eram bastante surradas, e até a cor verde de muitas, já havia desaparecido.
 
Você sabe muito bem que quando chegavam os uniformes para nós atiradores, eram todos jogados no chão da quadra, para que cada um escolhesse o que mais se aproximava da sua medida.

 harrydarkcoturno.blogspot.com
 
E os coturnos lembram? Eram necessária a participação de um sapateiro profissional, para que ele colocasse pregos nos solados, do contrário andávamos sem segurança, pois se não fossem consertados, estávamos sujeitos a perdermos os solados dos coturnos em uma marcha.
 
Mas nós sabíamos que os sargentos não tinham culpa deste desprezo aos atiradores. Os patenteados tinham vontade de verem os seus comandados com fardamentos, coturnos, cintos de guarnição, cantis... novos. Mas infelizmente eles nunca realizaram os seus desejos, porque o governo federal não tinha o mínimo interesse de organizar o exército brasileiro.  
 
Certo dia, em uma das marchas que fizemos para Governador Dix-sept Rosado, eu fui um dos que mais sofreu causado por um prego cravando o meu calcanhar esquerdo. Devido a estrada ter sido feita com piçarra, quando eu pisava em uma pedra, o  prego ficava  furando o meu calcanhar.
 
Chamei o sargento Moura e lhe disse que eu não tinha condições de continuar a marcha, que eu deveria ir no jeep (este nos seguia atrás para um possível socorro), alegando-lhe que um prego no coturno estava me furando, e eu não iria aguentar aquele sofrimento, porque eu já sentia que dentro do coturno estava cheio de sangue. 
 
O sargento Moura ficou me xingando, dizendo-me que era manha minha, e que aquilo não passava de relaxamento meu, e já que eu sabia que naquela madrugada nós iríamos  caminhar até às terras de Governador Dix-sept Rosado, um dia antes eu deveria ter feito um reparo geral nos coturnos, batendo todos os pregos, que possivelmente poderiam me afetar.
 
Ao chegarmos no local do acampamento improvisado, no meio de uma porção de carnaubeiras, e na beira do rio, eu retirei o coturno, e lá, senti o alívio do que me incomodava naquele momento. Chamei o sargento Moura para que ele visse de perto o estrago que o prego havia feito em meu calcanhar.
 
Reconhecendo o seu erro, por não ter aceitado eu seguisse no jeep, disse-me que no retorno eu voltaria no automóvel. E assim foi feito. Ao retornarmos da marcha, eu vim no jeep, mangando de vocês, que além de cansados, o sol estava mais quente do que nunca. 
 
Minhas Simples Histórias 
 
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terça-feira, 1 de abril de 2014

Anatália Cristina Queiroga Pereira

Por Edilza Queiroga

Filha, tanta saudade de você! Não tenho palavras para falar como eu amo você. Hoje, Anatália está fazendo 24 anos na casa do Senhor. Que Deus esteja sempre contigo Anatália, guiando os teus passos e iluminando a tua caminhada. Da tua mãe que te amará eternamente.


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Manoel Camelo, Altivo e Papão.

Por José Mendes Pereira

Para a criação de uma cidade tem que ter de tudo. Em primeiro indispensável, um mercado público, uma capela para os fiéis ajoelharem-se diante da estátua e fazerem os seus pedidos; bares, mercearias, escolas, um posto de saúde, um posto policial, mesmo que não resolva nada, mas é necessário. Mas uma das coisas que não precisa ninguém construir ou fabricar são os tipos populares, alguns com problemas mentais, outros se declaram que são incapazes para o trabalho, e assim vão levando a vida como Deus consente, os quais aparecem de montão, e cada um tem o seu estilo de vida. Alguns são agressivos, exigindo o respeito sobre a sua loucura, enquanto outros servem de graça para a população.
 

Foto do blog: http://www.azougue.org/conteudo/desabonitado13.html  

Manoel Camelo era um desses tipos que vivia perambulando pelas ruas do centro da cidade de Mossoró. Era baixo, moreno, com uma escoliose ao lado esquerdo do ombro, e conversava muito pouco. Mas mesmo tendo um parafuso a menos, quando decidia falar, dizia tudo direitinho, na sequência, com sentido e tudo mais. Era um torcedor do time Baraúnas, e não admitia que ninguém tentasse denegrir a imagem do seu time.

cacellain.com.br 

Dois rivais do Manoel Camelo, um deles era Altivo, também deficiente físico (andava quase nu), era torcedor do Potiguar, e o outro que tinha o apelido Papão, apaixonado pelo o  Potiguar, também era deficiente físico. Se acontecessem encontros deles três, em qualquer avenida da cidade, a confusão começava, e geralmente, ela partia de alguém que os incentivava para uma guerra verbalmente, e muitas das vezes, chegando às agressões físicas.


http://futguar-futebolpotiguar.blogspot.com  

Não tenho certeza se o Manoel Camelo, Altivo e o Papão já faleceram. Mas é provável que sim, porque faz mais de 20 anos que eu nunca mais os vi perambulando pelas ruas de Mossoró. Os três eram pessoas que não agrediam ninguém, e geralmente, as confusões criadas, eram entre si.

Estes são mais três tipos populares de Mossoró do século XX, e não podemos dizer que eles não eram pessoas boas, apenas se desentendiam quando se encontravam, cada um tentando manter a paixão pelo seu time. 

Minhas simples histórias 

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