sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

OS 100 ANOS DA TRAGÉDIA DO VAPOR MOXOTÓ NAS ÁGUAS DO VELHO CHICO

*Rangel Alves da Costa

Na última segunda-feira, dia 10, completaram-se 100 anos da tragédia do Vapor Moxotó nas águas do Velho Chico, entre Bonsucesso e Belmonte (Belo Monte, como é mais conhecida), na divisa são-franciscana entre Sergipe e Alagoas. Ante a ausência da prefeitura municipal de Poço Redondo, a própria comunidade ribeirinha de Bonsucesso se organizou para relembrar com missa e outros eventos, a fatídica, porém histórica, memória.

Flores ao passado, flores aos mortos, preces e cantos, missa pela memória triste das águas, assim foi o dia nas beiradas do Velho Chico, bem no local onde ainda repousam os restos da velha canoa, que de vez em quando reaparecem na magreza do rio. Intitulado Moxotó: Destino e Sina do Velho Vapor, abaixo segue um texto de minha autoria, escrito no ano passado, onde descrevo os passos da tragédia.

“Povoado ribeirinho de Bonsucesso, município de Poço Redondo, sertão sergipano. No outro lado, encravado entre as serras, o pequeno arruado alagoano de Belo Monte, o mesmo Belmonte para alguns. Entre os dois, limitando estados e terras, as águas remansosas do São Francisco, o rio da raiz de todo o nascer e viver sertanejo. De leito vasto e opulento antigamente, agora apenas um caudal que de repente ganha vida para no instante seguinte melancolicamente emagrecer.

Nas suas águas, contudo, uma história triste e comovente que se prolonga, ainda com sombras que despontam, desde os tempos idos, desde a segunda dezena do século passado. Quando as águas são muitas e o leito se estende alto de margem a margem, os visitantes sequer imaginam o que jaz sem vida nos escombros aquosos. Mas quando as vazantes chegam, o rio diminui e seus ossos vão ficando à mostra, então surgem os esqueletos e os restos de uma embarcação e sua trágica história: Moxotó! Sim, um pouco mais além do meio do leito, já nas proximidades das ribeiras do Belo Monte, ainda permanecem os restos naufragados do velho Vapor Moxotó. E que história mais instigante!


10 de janeiro de 1917, uma quarta-feira. O percurso da Moxotó, uma embarcação que fazia parte da Companhia Pernambucana de Navegação, na verdade um vapor também conhecido como Chata, era cantado e decantado por toda a região. Ora, o principal meio de transporte. Tinha porto de origem em Penedo, seguia até Propriá, desembocava em direção a Pão de Açúcar e prosseguia até os costados de Piranhas, passando pelas povoações ribeirinhas que se estendiam ao longo das ribeiras do São Francisco.

Naquela tarde de quarta-feira, já com itinerário de retorno, partiu de Piranhas com muitos passageiros, produtos para serem comercializados em outras cidades, fardos e mais fardos de sortimentos, sacos de açúcar, feijão e farinha, além de muitos outros objetos de valor tão costumeiros naqueles tempos áureos e faustosos nas ribeiras e pelos arredores sertanejos, mas também por que muito do que transportava possuía destinação aos grandes centros e até outros países. Até ouro e prataria levava, segundo relatam.

  Ao entardecer, retornando de Piranhas, seu último porto no trajeto, a Moxotó singrou as águas do Velho Chico para uma viagem normal, como costumeiramente fazia. Estava lotada de passageiros, amontoada de bagagens, repleta de um tudo. Com destino à cidade alagoana de Pão de Açúcar, para na manhã seguinte seguir até Penedo e Propriá, primeiro aportou na povoação de Curralinho, no atual município de Poço Redondo, no intuito de receber mais passageiros e descer e fazer subir objetos e mercadorias, o que igualmente faria mais adiante, quando chegasse às margens de Bonsucesso, tendo Belo Monte no outro lado.

Como meio de transporte mais utilizado naqueles idos de 1917, a Moxotó acomodava em seus balanços e remansos diversas classes sociais sertanejas e nordestinas, levando e trazendo desde coronéis a pequenos comerciantes e homens da terra. Contudo, o acúmulo de pessoas acabava causando problemas a uma embarcação reconhecidamente frágil perante as águas revoltosas e as verdadeiras armadilhas que se apresentavam a cada avanço do rio. E ante as tempestades, então a situação se tornava verdadeiramente desesperadora. Foi uma situação assim que começou a surgir depois das quatro da tarde, enquanto seguia ao largo do Curralinho. O céu enegreceu, a ventania soprava cada vez mais forte, as águas sacolejavam ante a repentina tormenta.

O medo toma conta de tudo e de todos. As vozes são caladas pelos assombrosos sacolejos que tornavam o frágil vapor como brinquedo de papel dentro de uma banheira agitada. Pedem para que o comandante imediatamente providencie uma parada numa margem qualquer. Mas nenhum efeito surtiram os rogos dos aterrorizados passageiros. A decisão é seguir em frente e baixar as âncoras mais adiante. Já estavam entre o Bonsucesso e o Belo Monte quando a Moxotó não mais suportou as ferozes investidas das águas e sucumbiu entre as vagas então profundas. Neste passo, urge trazer o relato tão dramático quanto emocionante do escritor Etevaldo Amorim, em texto intitulado “O Destino da Moxotó”:

“Seguem-se momentos de pavor. Forma-se de repente um cenário dantesco: gritos, choro, desespero. A água transpõe o convés e invade todo o vão interior. Pânico geral! Passageiros e tripulantes se atropelam em movimentos desordenados. Uns se lançam ao rio em busca de salvação; outros são tragados pelas ondas e sucumbem ao soberbo poder das águas tempestuosas, soçobrando inevitavelmente. Consuma-se a tragédia. A tempestade afinal se aplaca ao cair da noite. Dia seguinte, a notícia se espalha. De Pão de Açúcar, onde a tempestade destelhou casas e derrubou árvores, partiram equipes de busca, coordenadas pelo Capitão Manoel Rego. Trabalho difícil e doloroso que ia revelando, a cada corpo encontrado, a extensão e a gravidade do que ocorrera no morro do Belmonte”.

Quase cem anos depois, eis que de repente uma amiga de Bonsucesso, Quitéria Gomes, me envia algumas fotografias e nestas, tal qual os restos de uma baleia que de repente aparecem nas águas rasas, também os restos da Moxotó. As recentes fotografias demonstram o quanto insepulto continua o velho vapor”.


Escritor
Membro da Academia de Letras de Aracaju
blograngel-sertao.blogspot.com

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://blogdodrlima.blogspot.com

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A DESLUMBRANTE VERA FISCHER NA PASSARELA DO SALÃO DA A.C.D.P., EM MOSSORÓ(RN), ANO DE 1969.

Por José Mendes Pereira
Foto do acervo do escritor Lindomarcos Faustino

Vejam bem, Mossoró já acolheu e recebeu em seus belos clubes pessoas famosas de todos os cantos do país, uma delas, foi a famosa "Miss Brasil" e atriz "Vera Fischer" no ano de 1969.

Fonte: facebook
Página: Lindomarcos Faustino

http://blogdomendesemendes.blogspot.com 
http://blogdodrlima.blogspot.com

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

MAIS UMA DE SEU LUIZ GONZAGA - UM DIA DE CHURRASCO E FORRÓ

Por Cícero Quesado


Acredito que isso ocorreu em 1982, na inauguração da Chácara Santa Brígida, residência de propriedade do Dr. Meton de Alencar, em Juazeiro do Norte - CE.

O Dr. Meton inaugurou a sua chácara em grande estilo! Convidou Luiz Gonzaga, Joquinha Gonzaga, Joãozinho do Exu e vários safoneiros da região, para um chamado “Forró – Churrasco”, durante todo dia.


Era um sábado e a entrada dava o direito de assistir o show, que teve início as 09:00 horas da manhã e encerrando as 17:00 horas, além de beber cerveja e comer churrasco à vontade.

Foi muito bom. Tive o prazer a estar presente a este evento, juntamente com a minha esposa Gilvanda e amigos.

Nada ocorreu fora do previsto, nesse dia. Tudo deu absolutamente certo e a inauguração foi um verdadeiro sucesso! E nós (minha esposa e eu), guardamos mais uma terna lembrança do nosso inesquecível Rei do Baião!

Contribuição: Cícero Quesado

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://blogdodrlima.blogspot.com

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

REPORTAGENS DE VEJA A MORTE DOS GENROS PRÓDIGOS - PERDOADOS PELO SOGRO SADDAM, IRMÃOS DESERTORES VOLTAM AO IRAQUE E SÃO MORTOS TRÊS DIAS DEPOIS


Errar é humano, perdoar é divino. Alguém pode imaginar que Saddam Hussein, o açougueiro de Bagdá, mergulhado até o pescoço no sangue de suas incontáveis vítimas, iria adotar como norma de conduta essa máxima cristã? É inacreditável, mas alguém achou que, em se tratando de um caso de família, o ditador iraquiano poderia deixar passar uma traição. 

Hussein Kamel  genro e primo  de segundo grau do ditador do Iraque Saddan Hussein

Os irmãos Hussein Kamel Hassan e Saddam Kamel, figurões de alto coturno do regime de Bagdá, fugiram para o exílio na Jordânia há seis meses, levando consigo os segredos mais preciosos do país - e suas esposas Raghad e Rana, filhas de Saddam. Arrependeram-se da fuga e, na terça-feira passada, voltaram ao Iraque, devidamente perdoados pelo sogro. Três dias depois, os genros pródigos estavam mortos. Na sexta-feira 22, a televisão iraquiana anunciou que Kamel e Hussein, juntamente com seu pai e outro dos irmãos, foram assassinados na casa onde moravam, em Bagdá, por membros de seu próprio clã de Al-Majid. Depois de dar a notícia, o locutor leu um telegrama enviado a Saddam pela família Al-Majid no qual pede "clemência" pela chacina e a justifica pela necessidade de limpar a honra do clã. Seguiram-se o hino nacional e os rotineiros elogios às autoridades.

Esposa e Saddan Kamel

O fim trágico dos genros desertores não chega a ser surpreendente. O que não se esperava é que Saddam Hussein agisse tão depressa para eliminá-los. Foi o próprio Hussein Kamel quem anunciou o regresso, na segunda-feira 19. No dia seguinte, os dois casais e os netos do ditador cruzaram os 1 000 quilômetros de deserto entre Amã e Bagdá num comboio de limusines. Na chegada, um porta-voz do governo de Bagdá informou que o pedido dos irmãos Kamel tinha sido aprovado por uma sessão conjunta do Comando Revolucionário Iraquiano e do partido governista Baath. "A marcha do grande Iraque é maior que todas as falsas aspirações e maior que os traidores e que aqueles que cometem erros", acrescentou o porta-voz, numa nota recheada de duplos e triplos sentidos.

Entre os observadores, a reação ao regresso foi de surpresa. Não faltou quem interpretasse a história inteira como mais uma das tramoias maquiavélicas de Saddam. Outros previam, cinicamente, que em poucos meses um dos irmãos - ou, de preferência, ambos - perderia a vida num "acidente" automobilístico. O sogro vingador não teve esse requinte, nem estava disposto a esperar. Na tarde de sexta-feira, um anúncio da agência oficial INA dissipou as eventuais dúvidas sobre o destino reservado aos fujões. As filhas de Saddam, informou a INA, decidiram divorciar-se de seus maridos, porque "não queriam mais permanecer casadas com traidores". A notícia do divórcio era a sentença de morte. Horas depois, a fatura estava liquidada.

O HOMEM DAS ARMAS - O motivo da fuga das duas famílias para a Jordânia é bastante conhecido: a luta feroz no interior do clã de Saddam Hussein pela partilha do butim amealhado depois da Guerra do Golfo, em 1991. O embargo decretado pelas Nações Unidas contra o Iraque permitiu à corriola do ditador multiplicar sua fortuna explorando o mercado negro. O bloqueio comercial jogou a maioria dos iraquianos na miséria, mas os donos do poder construíram cinqüenta novos palácios ou mansões luxuosas. Um complexo residencial no Lago Tharthar é 50% maior que o Palácio de Versalhes, na França. Um dos irmãos de Saddam Hussein, Barzan Ibrahim Al-Tikriti, foi enviado à Suíça para cuidar das contas secretas da família. Tanta riqueza só poderia dar briga. Na mesma noite em que os irmãos Kamel partiram para o exílio, 7 de agosto do ano passado, o filho mais velho do ditador, Uday, baleou o meio-irmão de Saddam, general Watban Ibrahim Al-Tikriti, durante uma festa em família. Uday era inimigo de Hussein Kamel, de quem retirou o controle dos negócios no mercado negro.

Já a decisão de voltar ao Iraque, seis meses depois, é bem mais difícil de entender. A fuga espetacular dos genros, recebidos de braços abertos pelo rei Hussein, da Jordânia, foi saudada em toda parte como um golpe devastador para Saddam Hussein, cuja queda, acreditou-se, era iminente. O general Hussein Kamel era o responsável pelos programas militares secretos do Iraque, o que incluía as proibidas armas químicas e os planos para a construção da bomba atômica. Como comandante das tropas de elite do ditador, a Guarda Republicana, chefiou pessoalmente o massacre das comunidades xiitas que iniciaram uma rebelião após a derrota iraquiana na Guerra do Golfo. 

Seu irmão era chefe da guarda presidencial. Preocupado com a fuga, Saddam Hussein enviou a Amã seu filho Uday, que pediu ao rei Hussein para extraditá-los. A resposta foi um humilhante não. Enquanto isso, os irmãos desertores passavam dias inteiros reunidos com agentes da CIA, enviados às pressas dos Estados Unidos para Amã, e com os inspetores da ONU encarregados de fiscalizar o cumprimento das promessas do Iraque de destruir seus estoques de armas sofisticadas. O que eles disseram é segredo até hoje. O fato é que, nas semanas posteriores, o governo do Iraque entregou à ONU informações preciosas - que até então vinha negando.

EXÍLIO SOLITÁRIO - Os dois genros pretendiam assumir a liderança da oposição iraquiana, para retornar ao país por cima da carne-seca depois da queda do regime. Em pouco tempo os EUA perceberam que o general Kamel não era o homem adequado para liderar a oposição no exílio. Guardadas as devidas proporções, isso seria o mesmo que, no Brasil dos militares, o general Sylvio Frota fugir para Paris, filiar-se ao MDB e lançar uma campanha pelas liberdades democráticas. Nos meses que se seguiram, Saddam Hussein assimilou bem o golpe - e até se fortaleceu, ao ganhar mais um mandato de presidente numa farsa eleitoral testemunhada por pencas de jornalistas estrangeiros.

Os grupos dissidentes iraquianos não quiseram conversa com o general fujão, a quem consideravam um bandido da mesma laia do ditador. Os fugitivos passaram os seis meses na Jordânia isolados num palácio, ignorados pelo Ocidente e hostilizados até pelo anfitrião, o rei Hussein, que recentemente permitiu que um grupo de oposição iraquiano rival de Hussein Kamel abrisse um escritório em Amã. Esses contratempos tornaram o exílio cada vez mais desconfortável. Mas não explicam a fatídica opção pelo regresso. Parentesco, na corte de Saddam, não quer dizer muita coisa - e os dois genros sabiam disso perfeitamente. O ditador já sumiu com vários primos e, segundo se comenta, alguns meio-irmãos. "Kamel caiu numa armadilha", afirmou um dissidente iraquiano em Londres. É uma explicação razoável. Falta esclarecer o que o teria convencido a confiar no sogro. Outra hipótese foi aventada por um assessor de Hussein Kamel que, prudentemente, preferiu ficar na Jordânia. "Ele estava mentalmente perturbado", revelou. É uma explicação mais simples. E mais convincente.

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/saddam/reportagem_280296.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://blogdodrlima.blogspot.com

domingo, 8 de janeiro de 2017

EM 13 DE DEZEMBRO DE 1912 NASCIA LUIZ GONZAGA

Por Juliana Pereira

Em 13 de dezembro de 1912, nascia na Fazenda Caiçara, em Exu, sertão de Pernambuco, nosso eterno rei da música regional nordestina, Luiz Gonzaga do Nascimento, filho de Januário José Santos, agricultor/sanfoneiro de 8 baixos e de Ana Batista de Jesus (Santana), agricultora/ dona de casa (vendia cordas na feira).

"Luiz Gonzaga foi um matuto que conquistou o mundo, como bem nos disse o jornalista pernambucano, Gildson de Oliveira. Guimarães Rosa dizia que " o mundo é mágico, pessoas não morrem, ficam encantadas", em sendo assim, Mestre Lua encantou-se em 02 de agosto de 1989, nos deixando um legado de 49 anos de uma extensa e intensa produção musical.


Luiz Gonzaga e sua última mulher, Maria Edelzuita Rabelo, uma sertaneja nascida em São José do Egito-PE. Ela o acompanhou durante seus últimos dias de vida e dor.

O porta-voz da nação nordestina, certa feita, disse:

"Não é preciso que a gente fale em miséria, em morrer de fome. Eu sempre tive o cuidado de evitar essas coisas. É preciso que a gente fale do povo exaltando o seu espírito, contando como ele vive nas horas de lazer, nas festas, nas alegrias e nas tristezas. 

Quando faço um protesto, chamo a atenção das autoridades para os problemas, para o descaso do poder público, mas quando falo do povo nordestino não posso deixar de dizer que ele é alegre, espirituoso, brincalhão. Eu sempre procurei exaltar o matuto, o caboclo nordestino, pelo seu lado heroico. Nunca usei a miséria desvinculada da alegria."

Gonzaga foi mais que um sanfoneiro, ele dizia que mais do que ele era, não queria ser não. Nos fez apenas um pedido:

"Gostaria que lembrassem que sou filho de Januário e dona Santana. Gostaria que lembrassem muito de mim; que esse sanfoneiro amou muito seu povo, o Sertão. Decantou as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes. Decantou os valentes, os covardes e também o amor”.

Toda reverência ao Rei e ao seu legado! Salve o Mestre Luiz Gonzaga do Nascimento! Salve!!!

Juliana é pesquisadora do cangaço e sócia da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço.

http://blogdosanharol.blogspot.com.br/2017/01/em-13-de-dezembro-de-1912-nascia-luiz.html

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://blogdodrlima.blogspot.com

sábado, 7 de janeiro de 2017

A “ESTÓRIA” DO CHAPÉU PERDIDO DE LAMPIÃO (FICÇÃO E FANTASIA)

Pouca gente sabe, mas a minha origem antepassada é a cidade de Juazeiro do Norte, que além de ser a terra do Meu Padim Cícero é também a do meu bisavô materno. 

Certa vez, visitando minha tia-avó “Tia Maria” (como chamamo-la carinhosamente), perguntei sobre a história do meu bisavô. Ela me contou que era um homem alto, forte, que tinha vindo de Juazeiro do Norte, nas eras de 20, e que não gostava de falar do seu passado de moço. Só se sabe que ele chegou nas terras de Cerro Corá, a pé, só com a roupa do corpo, e que por lá ficou até morrer.

Este dias, depois de ler muito sobre o cangaço, acabei sonhando com meu bisavô. No sonho eu lhe perguntava: 

- Vovô, porque o senhor veio de Juazeiro do Norte?

E ele respondeu: 

- Meu fii, eu briguei com um cabra e na briga, eu mais valente, ele correu e eu fiquei com o chapéu dele na minha mão. Adivinhe quem era o cabra? 

- Lampião!!! “Foi mesmo, vô?” 

E ele: 

- Sim, e se duvidar de mim eu meto lhe a peia.

E eu curioso: 

- O que o senhor fez com o chapéu?

Ele: 

- Meu fii, eu guardei dentro de uma lata de querosene. Vá em Cerro Corá, pergunte a minha filha Cícera que ela sabe onde eu guardei!

Já era madrugada quando eu acordei, já sem ar... Na mesma manhã, meti a carreira para Cerro Corá, e contei a estória a minha tia. Ela riu de mim, dizendo que era loucura. Mas mandou eu ir lá na tapera abandonada que pertencia ao meu bisavô. Eu fui. Olhei logo se tinha maribondo e entrei. Só tinha entulho, resto de telha quebrada, e um cupinzeiro gigantesco. De repente, deu um vento que bateu a porta atrás de mim. Ouvi um grito! O telhado começou a despencar e apareceu uma réstia mesmo no meio da sala. Olhei no chão onde a luz apontava e vi, enterrada a quina de uma lata. Me apressei para cavar e sabe o que eu achei: nada! Era só uma lata velha amassada. Voltei para Currais e no mesmo dia, pedi para o Mestre Aleixo fazer para mim um chapéu tal qual vira no sonho. Ficou perfeito!

Chapéu customizado com moedas de 1878 originais

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1194017844009709&set=pcb.1194019824009511&type=3&theater

http://blogdomendesemendes.blogspot.com
http://blogdodrlima.blogspot.com

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

HUMILDE VAQUEIRO PEGA COBRA E VIRA CELEBRIDADE




Cruz/CE. O Vaqueiro nordestino Dione dos Santos Sousa, conhecido por Dione Vaqueiro, 24, solteiro, além de trabalhar na lida com o gado, também é amante das corridas de mourão e participa de vaquejadas esportivas na região do Litoral Norte Cearense e tem conquistado troféus.

Dione Vaqueiro nasceu na localidade de Cajueirinho, Zona Rural do Município de Cruz, distante 30Km da cede do Município, um pequeno vilarejo onde as pessoas vivem basicamente da cajucultura, sua principal atividade econômica. Logo cedo, Dione Vaqueiro despertou interesse pela labuta com o gado e derruba do boi. Calmo, voz mansa, jeito tímido, diz que já trabalhou em várias fazendas de gado do interior cearense, inclusive em Quixadá, a Terra dos Monólitos e da Escritora Raquel de Queiroz. Ele diz que o trabalho e a paixão por vaquejadas dificultavam o acesso à escola, mas, mesmo com dificuldades, concluiu o Ensino Médio. Após algumas andanças por várias fazendas de gado pelo interior cearense, retornou para sua terra natal onde mora com seus pais Sr. Edmar e Dona Celeste e, nas horas vagas, trabalha na construção civil exercendo a atividade de pedreiro. Dependendo da situação, ele já exerceu várias outras atividades laborais como forma de sobrevivência.

Dia 29 de dezembro, moradores da comunidade vizinha de Lagoas dos Monteiro encontraram uma grande cobra dentro de uma cacimba, um tipo de poço muito usado pelos moradores da zona rural para captura de água. Logo a notícia se espalhou pelas comunidades vizinhas, quando uma moradora de Lagoa dos Monteiro por nome de Patrícia postou as primeiras imagens da internete. A Professora Márcia Freitas, que é Coordenadora Ambiental da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida – COMVIDA – da Escola Municipal Joaquim José Monteiro, foi ao local, tirou algumas fotos e postou na internete. 
 
As pessoas começaram a mandar mensagens pela internete e WhatsApp dando apoio e orientação de como salvar a cobra. Ligaram para órgãos ambientais, mas, não lograram êxito. Mas, enquanto a solução não vinha, moradores jogavam água e alimento para sobrevivência do animal. Ninguém poderia imaginar que a solução se encontrava logo ali bem pertinho na Comunidade de Cajueirinho. 

Foi quando Dione Vaqueiro soube do que estava acontecendo e foi até o local, na companhia da amiga Edinádia, que também é vaqueira, levando cordas e outros equipamentos e se dispôs a resgatar a cobra. Com muita disposição e coragem, desceu dependurado em uma corda para fazer o resgate do animal. Na descida, ele conta que passou por um exame de abelhas de ferrão, mas, por sorte, não foi atacado. Ao se aproximar da cobra, ela não foi muito receptiva e jogava bote. Logo após acalmá-la, conseguiu laçar, saiu da cacimba e retirou o animal. 
 
Os companheiros, com medo da cobra, trataram logo de fugir para bem distante. Após examinar a cobra, Dione Vaqueiro constatou que se tratava de uma cobra-de-veado, de nome científico Corallus hortulanus que não possui nenhum tipo de veneno que possa afetar ao homem ou outros animais que vivem próximo da mesma. Geralmente, esta espécie de cobras é vista enrolada em galhos de árvores e alimenta-se de pequenos animais e que era muito comum encontrar estas cobras em suas andanças pelo campo na lida com o gado e que nunca procurou matar estas cobras, pois, entende que são animais inofensivos e que fazem parte da natureza devendo ser preservadas. Fez uma estimativa de que a cobra media 2,10 metros de comprimento e pesando cerca de 15Km.
Algumas pessoas eram da opinião de que a cobra deveria ser morta, mas, ele a levou para um local de mata, bem distante das residências e espera que as pessoas que venha encontra-la procure preservar a vida da cobra seguindo o mesmo sentimento de preservação da natureza como ele praticou.  Como o local aonde soltou a cobra fica ao lado do Aeroporto Internacional de Jericoacoara, espera que ela pegue um avião e vá para a Floresta Amazônica (cic), brincu ele.