sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Por: Maristela Mafuz

Não estudo o cangaço e nem posso discutir verdades ou mentiras sobre o assunto. Mas conheci Sila de perto, nas várias vezes em que a hospedei em minha casa. Sei que ela era uma mulher forte, dura, porém muito sofrida e dolorida por dentro. Após o fim do cangaço sua vida foi muito dura, me parecia muitas vezes que foi mais sofrida do que no bando, sendo discriminada e vendo seus filhos também serem, por ‘culpa’ dela.

Quando viu uma possibilidade daquela fase que viveu ser interessante a alguém, usou essa oportunidade, como muitos outros também. Acredito até, que tentando apagar a imagem negativa que tinha dentro dela de tudo de ruim que viu e viveu. Surpreendi-me ao saber de tantas mentiras que falam que ela disse, pois nas vezes em que esteve aqui, vi muitos a procurarem e se interessarem por seus relatos.
Acho que vou participar da Reunião da GECC só para ouvir as opiniões sobre ela.

Maristela Mafuz
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MENSAGEM DO SAUDOSO GOVERNADOR MÁRIO COVAS À CAMPANHA DROGA MATA


“Mauro Borges, em primeiro lugar você e meu velho conhecido e faz campanhas de natureza cívica, de utilidade pública, desde o tempo em que eu estava na Prefeitura, não sei quanto tempo antes, mas no tempo que eu estava na prefeitura você já fazia, e eu fui para a prefeitura em 1983, portanto há muitos anos que você faz um trabalho muito significativo e a gente fica muito satisfeito com isso. E esse trabalho, ultimamente, ficou voltado com especialidade na área de combate as Drogas, o que sem dúvida nenhuma é um dos mais significativos que se possa fazer hoje em dia, quando a droga ganhou um impulso muito grande, e particularmente a droga dos mais pobres, você sabe que é mais importante brigar contra o crack do que contra a heroína, porque o crack é que vicia a criança, o crack que vicia o pobre, que depois se torna um dependente. A heroína é dos ricos, de alguma forma ela vai sempre existir, em menor ou maior quantidade. Agora, nos precisamos é acabar com o crack, que é o mecanismo pelo qual os pobres e as crianças adquirem o vício. E você está fazendo uma campanha aí muito meritória, e eu quero te parabenizar mais uma vez. “Não é a primeira e nem a última vez que eu vou parabenizar você por campanhas excelentes que você promove e por essa sua obstinação de lutar por um preceito como você tem lutado.”

Mensagem gravada pelo saudoso governador Mário Covas, em 05/10/1999, após sua autorização para que Mauro Borges promovesse o seu Mutirão Droga Mata no tristemente famoso presídio do Carandiru, em 15/11/1999, que foi realizado com grande sucesso, para mais de 6 mil presos e cerca de 3 mil familiares dos presos. ( Mario Covas nasceu em 21/04/1930 e faleceu em 6/03/2001 aos 70 anos ), sendo considerado um dos melhores governadores que São Paulo já teve e um grande Estadista.
Fonte: Jornal Mais Brasil
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PAI CHORA AO LER CARTA DO FILHO

Com medo de ser rotulado de CARETA, filho acaba encontrando a morte nas drogas

Esta é uma carta de ADEUS de um jovem de 19 anos. O caso é verídico, aconteceu em um hospital de São Paulo.

PAI, como eu gostaria de voltar atrás e seguir os teus conselhos e orientações! A minha rebeldia só me causou dor e sofrimento. Hoje, neste frio leito hospitalar e esperando a morte chegar, quero te revelar o nome de quem está me levando para o cemitério. Não sei como você vai receber este relato, mas preciso reunir todas as forças enquanto é tempo. Sinto muito, papai, acho que este diálogo é o último que tenho com o senhor. Sinto muito mesmo... Sabe pai, já passou da hora do senhor saber a verdade que nunca desconfiou.
Vou ser breve e claro... e bastante objetivo. O tóxico é o grande responsável pelo meu sofrimento e pela minha morte. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 anos de idade. É horrível, não, pai? Sabe como conheci essa desgraça? Foi através daqueles que eu considerava meus melhores amigos da escola e do bairro onde morávamos. Eu tentei recusar. Tentei mesmo, mas eles mexeram o com meu brio, dizendo que eu era CARETA... que eu não era homem... e etc. Não é preciso dizer mais nada, não é, pai? Como não queria ser tachado de CARETA, acabei entrando para o terrível mundo das drogas. No começo, foi o devaneio... depois veio a tortura... a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Em seguida, veio a falta de ar... medo... as alucinações.
E, logo após a euforia do pico, novamente, eu me sentia mais gente que as outras pessoas. Então o tóxico, meu amigo inseparável, sorria de minha desgraça. Sabe, meu pai, quando a gente começa a usar drogas, acha que o mundo é ridículo e engraçado. Cheguei até a zombar de DEUS e a duvidar de Sua existência. Mas hoje, no leito de um hospital, reconheço que DEUS é mais importante que tudo no mundo e que, sem a Sua ajuda, não estaria, agora, escrevendo esta carta. Pai, eu só estou com 19 anos; sei que não tenho a menor chance de viver. É muito tarde para mim! Mas ao senhor, meu pai, tenho um último pedido a fazer: mostre esta carta a todos os jovens que o senhor vier a conhecer. Diga-lhes que, em cada porta de escola... em cada cursinho de faculdade... em qualquer lugar, há sempre um grupo de falsos amigos e até namoradas(os), que irão lhes oferecer algum tipo de droga que poderá destruir também a saúde e a vida deles, como aconteceu comigo. Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais para eles. Perdoe me, pai... já sofri demais. Perdoe-me, também, por fazê-lo sofrer com minhas loucuras e irresponsabilidade. ADEUS MEU PAI ! Algum tempo após escrever esta carta o jovem morreu.
Fonte - Jornal mais Brasil
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AMOROSO CORAÇÃO PARTIDO - CRÔNICA

Por: Rangel Alves da Costa

Rangel Alves da Costa

Parei, pensei, refleti. O que significa amar, ao outro ser se entregar, e toda esperança de contentamento do outro coração partilhar, ser desvão na vida, desejo submerso no mar?
Amor, singelo, de todo afeto o mais belo, semeado em qualquer chão, quando deveria ser no coração o terreno fértil de cada grão, raiz de todo querer, broto que frutifica paixão.
E eu que humildemente removi terreno, fazendo imensidão em tudo tão pequeno, pensando em grandeza nesse ter ameno, pensei longe demais e do mais colhi o menos.
Mas não me entrego com qualquer derrota, esqueço toda dor, esqueço a revolta, caminho sempre em frente em busca de outra porta, em mim só há certeza que tudo se suporta.
E nessa estrada que caminho agora, sem relógio, sem olhar pra hora, nada me fará voltar, pois tenho de ir embora, reescrever a vida, reescrever a história, apagar a perda e construir vitória.
E tudo por amor, meu amor. Se tudo querer acreditou se fazer desamor, afasto isso de mim, não preciso carregar essa dor, ainda que da solidão tenha pavor e a distância dos teus olhos me cause temor.
Porém não escondo, não preciso esconder o que me move andar, vou dizer ao mundo, ao mundo vou gritar, que o meu passo segue em busca de você, que o meu caminho busca o teu ser.
E tantas pedras enxergo adiante, dor insuportável aos pés de humilde amante, que vencerá na força essa aflição constante, superando tudo tão mortificante, e com a paixão dizendo siga, não pare, sempre avante.
Valerá a pena tanto sofrimento, lanho pelo corpo, no peito o tormento, com sol queimando a pele e tudo tão sedento, tudo tão distante e nenhum alento?
Valerá a pena pé caminhar assim, sem saber se alguém espera por mim, e tanto mais andar e nunca chega um fim?
Respondo no silêncio que vou continuar, ainda que o labirinto queira me assustar, o desconhecido queira me tomar, uma noite tão escura queira me devorar, pois não sigo sozinho, vou acompanhado, levo a persistência sempre ao meu lado.
Persistir na vida é a melhor sina, sair correndo atrás do que se determina, pois o destino é cego mas na mente atina, que não se busca em vão, se busca a menina.
E menina que é você tão mulher, tanto desejo e tudo que se quer, flor dessa manhã e tanto malmequer, pois não tenho tudo, mas o que puder, o que me couber na sina que vier.
Aceito de bom grado esse padecer, a tristeza triste, sofrido sofrer, chorar baixinho hoje e amanhã me erguer, enxugar as lágrimas e me prometer que para sempre em diante tudo reescrever.
Esquecer que ontem me dizia não, esquecer que ontem não tive seu perdão, esquecer que ontem me prostrei ao chão, esquecer que ontem a vida foi desvão, esquecer que ontem todo sim era não, e aprender que o ontem foi pura ilusão, e viver agora na reconstrução, erguendo o amor com nova lição.
Mas se ainda assim, por mais que eu suba no rochedo e grite sem medo, que para te amar não há nenhum segredo, bastando que a luta se faça mais cedo, não queira me dar a mão e cortar caminho nesse chão, direi que não tem nada não: amanhã talvez, amanhã então!
E antes que chegue amanhã, antes que a esperança enfim apareça, farei tudo para que reconheça que esse amor que talvez eu mereça já adormecia no seu peito moreno, como flor que acorda no suave sereno e passar a viver o querer tão terreno.
E quando eu correr em sua direção, juntando os pedaços espalhados ao chão, ainda assim inteiro será coração partido, que um dia se firmará ungido na certeza do amor que nunca é vencido.


Poeta e cronista
e-mail: rangel_adv1@hotmail.com
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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Diário de Pernambuco: O nº 1, uma relíquia no meu acervo.

Por: João de Sousa Lima

PRIMEIRO DIÁRIO DE PERNAMBUCO - EDIÇÃO NÚMERO 1!!!
O JORNAL MAIS ANTIGO DA AMÉRICA LATINA INCIOU COMO UM FOLHETO.


INCIA ASSIM:

HOJE SEGUNDA FEIRA 7 DE NOVEMBRO E 311 DIAS DO ANNO DE 1825...

O jornal mais antigo em circulação na América Latina, o Diário de Pernambuco foi fundado no dia 7 de novembro de 1825, pelo tipógrafo Antonino José de Miranda Falcão, no Recife.
Na data da sua fundação o Recife ainda não era a capital da província de Pernambuco (e sim Olinda), o que só veio a acontecer em 15 de fevereiro de 1827.
O Diário nasceu na rua Direita, número 267, no bairro de São José, na residência do seu fundador.
Custava 40 réis e foi criado no formato 24,5 x 19cm, como uma simples folha de anúncios, com avisos de compra e venda de imóveis, objetos, leilões, aluguéis, roubos, perdas e achados, fugas e apreensões de escravos, viagens, além de informar a hora de entrada e saída de embarcações no Porto do Recife.

UM POUCO DA HISTÓRIA DA IMPRENSA BRASILEIRA:

Imprensa - Hipólito José da Costa funda, em Londres, o Correio Braziliense (ou Armazém Literário) (1 de junho de 1808). Com a vinda da família real para o Brasil, a Imprensa Régia cria a Gazeta do Rio de Janeiro, dirigida pelo frei José Tibúrcio da Rocha (10/9/1808). Friedrich Koening inventa a rotativa, capaz de rodar 1100 folhas por hora (1811). Surge o primeiro jornal informativo brasileiro: o Diário do Rio de Janeiro, (1 de junho de 1821); no mesmo ano surgem as primeiras folhas essencialmente políticas: o Reverbero Constitucional Fluminense, de Gonçalves Ledo e Januário Barbosa, e o Correio do Rio de Janeiro, de João Soares Lisboa; apesar da censura, circulam no Brasil jornais, como o Typhis Pernambucano, de Frei Caneca, que fazem críticas violentas contra o governo (25 de dezembro de 1823); fundação do Diario de Pernambuco, o mais antigo jornal em circulação no Brasil (7 de novembro de 1825).

Primeiro número do Diario de Pernambuco

Pierre Plancher funda, no Rio de Janeiro, o Jornal do Commercio (1 de outubro) e o liberal Evaristo da Veiga funda o Aurora Fluminense; são igualmente combativos o Repúblico, de Borges da Fonseca, o Observador Constitucional, Líbero Badaró, e a Sentinela do Serro, de Teófilo Otoni, em Ouro Preto; em 1827 o Brasil já conta com 54 periódicos, sendo dezesseis na Capital. Em Paris, Charles Havas funda a primeira agência de notícias (1832). Emilie Girardin funda em Paris o La Presse, primeiro diário a publicar anúncios pagos (1836). Início da publicação, no Rio de Janeiro, da mais antiga revista em circulação no Brasil, a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1839). Criada nos EUA a agência Associated Press (1848). Surge o primeiro diário de São Paulo, o Constitucional (1848). Criada em Londres a agência de noticias Reuters (1851). Surge na Bahia o primeiro periódico feminino do Brasil: o Jornal das Senhoras, de Violante Bivar e Velasco (1852). Quintino Bocaiúva lança A República, órgão do partido republicano (13 de dezembro de 1870). Rangel Pestana funda A Província de S.Paulo (4 de janeiro de 1875), que em 1 de janeiro de 1890, sob a direção de Júlio de Mesquita, passa a se chamar O Estado de São Paulo. Surge em São Paulo O Diário Popular (8 de novembro de 1884). Otto Mergenthaler inventa o linotipo, eliminando o processo manual de composição gráfica (1885).
No Rio de Janeiro, Rodolfo Dantas funda o Jornal do Brasil (9 de abril de 1891). Entre 1891 e 1894, são fechados pelo governo vários jornais; sobrevivem apenas o Diário Popular e A Gazeta, em São Paulo, A Tribuna, em Santos (SP), e o correio do Povo, em Porto Alegre.

Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço
João de Sousa Lima
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Personagens do Cangaço da Região de Paulo Afonso

Por: João de Sousa Lima

 Paulo Afonso foi uma das regiões mais visitada pelos cangaceiros e muitos remanescentes permaneceram ainda na região depois que o cangaço foi extinto.

Pedro Silvestre (o senhor com a bengala) foi um dos maiores coiteiros de Lampião. Ele residia no povoado Lagoa do Rancho e foi um dos que  enterrou o cangaceiro Sabiá, morto por Lampião.


Arlindo Grande também foi  coiteiro e a residência dos seus pais foi um dos lugares onde eram realizados os famosos bailes do cangaço, no povoado Várzea.


o soldado volante Teófilo Pires do Nascimento foi um dos maiores perseguidores do cangaço e foi ele quem matou o cangaceiro Calais.


No centro da foto o senhor Antonio Chiquinho, construtor da Lagoa do Mel, local onde Lampião matou 16 soldados e nesse mesmo tiroteio perdeu seu irmão mais novo,  Ezequiel.
Antonio foi quem enterrou Ezequiel e depois foi forçado pela policia a desenterrá-lo. Faleceu  recentemente com 106 anos de idade residindo ainda no povoado Baixa do Boi.


O soldado Antonio Calunga e Ozeias (irmão de Maria Bonita) dois remanescentes das lutas cangaceiras em Paulo Afonso.


O cangaceiro Alecrim. Seu nome era Pedro Rimualdo e foi da volante, preso por Lampião foi salvo da morte pelo primo Ângelo Roque e foi forçado a ser cangaceiro. Viveu sempre no seu local de origem: o povoado Sítio do Lúcio.

Extraído do blog do escritor João de Sousa Lima
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Ariano Suassuna: Sua Biografia e a Bela Poesia dedicada ao Inesquecível Pai

Por: João de Sousa Lima
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Ariano Suassuna
Bio-bibliografia



Nasceu na cidade de João Pessoa, Paraíba, no dia 16 de junho de 1927, filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna e Rita de Cássia Dantas Villar. Fez o curso primário no município de Taperoá, PB. Em 1942, a família Suassuna se transfere para o Recife e Ariano vai estudar no Ginásio Pernambucano e depois no Colégio Oswaldo Cruz.



Em 1946, entrou para a Faculdade de Direito do Recife, onde conheceu um grupo de escritores, atores, poetas, romancistas e pessoas interessadas em arte e literatura, entre os quais, Hermilo Borba Filho, com o qual Ariano fundou o Teatro de Estudantes de Pernambuco. Concluiu o curso de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais em 1950.



Em 1947, escreveu sua primeira peça de teatro, Uma mulher vestida de sol, baseada no romanceiro popular do Nordeste brasileiro e com ela ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno, em 1948.
No dia 19 de janeiro de 1957, casa-se com Zélia de Andrade Lima, com a qual teve seis filhos: Joaquim, Maria, Manoel, Isabel, Mariana e Ana.
Foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura, do qual fez parte de 1967 a 1973 e do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco, no período de 1968 a 1972.

 

Foi nomeado, em 1969, Diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, ficando no cargo até 1974. Lança no dia 18 de outubro de 1970 o Movimento Armorial, com o concerto Três séculos de música nordestina: do barroco ao armorial, na Igreja de São Pedro dos Clérigos e uma exposição de gravura, pintura e escultura.
De 1975 a 1978 foi Secretário de Educação e Cultura do Recife. Doutorou-se em História pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1976. Foi professor da UFPE por 32 anos, onde ensinou Estética e Teoria do Teatro, Literatura Brasileira e História da Cultura Brasileira. Em agosto de 1989, foi eleito por aclamação para a Academia Brasileira de Letras, tomando posse em maio de 1990, na cadeira número 32, que pertenceu ao escritor Genolino Amado. Dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta, defensor incansável da cultura popular, das raízes brasileiras e, especialmente nordestina, é autor de várias obras:


Uma mulher vestida de sol (1947): O desertor de Princesa (1948); Os homens de barro(1949, inédita); Auto de João da Cruz (1949); O arco desabado (1952); Auto da Compadecida (1955); O santo e a porca (1957); O casamento suspeitoso (1957); A pena e a lei (1959); Farsa da boa preguiça (1960); A caseira e a Catarina (1962); Romance d´a pedra do reino e o príncipe de Sangue do Vai-e-Volta (1971, traduzida para o inglês, alemão, francês, espanhol, polonês e holandês


Ariano escreveu um dos mais lindos e perfeito soneto da poesia mundial em lembrança do pai que fora assassinado por questões políticas. Seu pai João Suassuna foi governador da Paraíba e sua morte foi logo após a morte de João Pessoa.


Aqui morava um rei


"Aqui morava um rei quando eu menino
Vestia ouro e castanho no gibão,
Pedra da Sorte sobre meu Destino,
Pulsava junto ao meu, seu coração.

Para mim, o seu cantar era Divino,
Quando ao som da viola e do bordão,
Cantava com voz rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão.

Mas mataram meu pai. Desde esse dia
Eu me vi, como cego sem meu guia
Que se foi para o Sol, transfigurado.

Sua efígie me queima. Eu sou a presa.
Ele, a brasa que impele ao Fogo acesa

Espada de Ouro em pasto ensanguentado."


Extraído do blog do escritor e pesquisador do cangaço
João de Sousa Lima
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