segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

TAMARINEIRO, TRIBUTO AO HERÓI CENTENÁRIO




Cruz. Tamarineiro: “Muito mais que centenário, lá da Praça da Matriz”. Já foi mercado da carne em tempos indos e local de amarrar animais em dias de feiras e festas. Se falasse, tinha muitas histórias para contar de bêbados abusados ou de casais enamorados debaixo de sua copa que se abraçavam e se beijavam escondidos dos seus pais, pois é “testemunha e memória de bate-papos infinitos”, mas, “hoje, atrapalha o trânsito na geografia urbana”.
O tamarineiro centenário (Tamarindus indica L.) encontra-se na Praça da Matriz, Centro, cujo nome oficial é Praça Monsenhor Edson Magalhães, que foi Pároco de Cruz e Acaraú durante um longo período.                    
Em 2010, por ocasião do Jubileu de Prata do Município de Cruz, o Tamarineiro Centenário recebeu grande homenagem por fazer parte da história do Município de Cruz, servindo de mercado para venda de carne, amarrar animais, reunir pessoas para bate-papos ou inspirar poetas populares.
Foi tombado pela Lei Municipal Nº 368 de 07 de janeiro de 2010.
                                                                                                
                          
Das suas sementes, muitas outras árvores foram plantadas em várias localidades do município.
A Federação das Associações Comunitárias do Município de Cruz, na pessoa do seu Presidente Engenheiro Agrônomo Antonio dos Santos está colhendo sementes para serem distribuídas entres os agricultores do município com o propósito de propagar uma árvore que fez parte da história do município de Cruz perpetuando a espécie.
Já velha e brocada, a tamarineira, ainda produz muitas vagens e promete viver por muitos anos.
Tamarineira também é o nome de uma empresa e de um Bairro nobre da cidade de Recife capital de Pernambuco. Há várias empresas que usam o nome desta árvore em Português ou em outros idiomas. Os poetas fazem muitas referências a tamarineira em suas composições como por exemplo o forrozeiro potiguar Elino Julião na música Vou pra Tamarineira.
Na medicina popular, é usada como adstringente, antidiarreico, tônico, digestivo, laxante, anti-inflamatório, vermífugo, tosse, febre etc. Suas sementes são comercializadas por algumas empresas ao preço de R$ 80,00 o pacote com 250 sementes.
Quem viaja pelo interior dos Estados do Ceará ou Rio Grande do Norte, ainda encontra muitas tamarineiras centenárias que resistem ao tempo nos pátios das antigas fazendas de gado, como podemos citar as tamarineiras encontradas em Ouro Branco ou Pendencias no Rio Grande do Norte.
Dr. Lima

domingo, 4 de janeiro de 2015

TESTAMENTO DE PADRE CÍCERO NA ÍNTEGRA (INCLUINDO TERMO DE ABERTURA) - PARTE I




1934
Juizo Municipal de Joazeiro, do Estado do Ceará O Escrivão do 2º Ofício,:interino:
Machado
Execução do Testamento do Padre Cícero Romão Batista.
Testamenteiro:
- Cel. Antônio Luiz Alves Pequeno

Autoação

Aos vinte e sete dias do mês de Julho do ano de mil novecentos trinta e quatro (1934), nesta cidade do Joazeiro, na comarca do Crato, do Estado do Ceará, em meu cartório, autoei o Testamento com o termo respectivo de abertura que adiante se vê; do que fiz este termo. O 2º Escrivão Intº.

Antônio Machado
Em nome de Deus Amen.

Eu, Padre Cícero Romão Baptista, achando-me adoentado, mas sem gravidade, e em meu perfeito juízo, e na incerteza do dia da minha morte, tomei a resolução de fazer o meu testamento e as minhas ultimas disposições, para o fim de dispôr dos meus bens, segundo me permitem as leis do meu paiz.

E como, devido ao meu actual incommodo, não posso levar muito tempo apurado em escrever este longo documento, nem quero fazer um testamento publico, mas sim um testamento cerrado, de accordo com o artigo mil seicentos e trinta e oito e seus paragraphos do Codigo Civil Brasileiro, pedi ao meu amigo Luiz Theophilo Machado, segundo Tabellião de Notas desta comarca, que por mim escrevesse este meu testamento em minha presença, e por mim ditado, reservando-me para assignal-o com o meu proprio punho.

Declaro que sou filho legítimo dos fallecidos Joaquim Romão Baptista e Dona Joaquina Vicencia Romana e nasci na cidade do Crato, neste Estado do Ceará, no dia vinte e quatro de março de mil oitocentos e quarenta e quatro (1844).

Como profissão, adoptei o Ministério Sacerdotal, de accordo com as Ordens que me fôram conferidas pelo então Bispo do Ceará Dão Luiz Antonio dos Santos, de saudosa memoria, exercendo-o, conforme a minha vocação, com amor, dedicação e bôa vontade, e desejando assim continuar em quanto o Bom Deus, pela sua Divina Misericórdia me conceder força e consciencia dos meus actos.

Declaro mais que desde minha Ordenação, mesmo durante o pouco tempo que fui Vigario da Parochia de São Pedro do Crato, nunca percebi um real sequer pelos actos religiosos que tenho praticado como Sacerdote Catholico.

Declaro ainda que todos os dinheiros que me fôram e continuam a ser dados, como offertas a mim unicamente, os tenho distribuído em actos de Caridade que estão no conhecimento de todos, bem como em grandes e vantajosas obras de agricultura, cujo resultado tenho apliccado em Bens, que ora deixo, na mór parte para a Benemerita e Santa Congregação dos Salesianos, afim de que ella funde aqui, no Joazeiro, os seus Collegios de educação para crianças de ambos os sexos.

Desde muito cêdo, quando comecei a ser auxiliado com esmolas, pelos romeiros de Nossa Senhora das Dores que aqui chegavam, a par do auxilio efficaz por mim feito para o desenvovimento desta terra, resolvi applicar parte das mesmas esmolas recebidas em propriedades, visando assim fazer um patrimônio para ajudar uma Instituição Pia e de Caridade que podesse aqui continuar a sua Obra Bem fazeja.

E por que, dentre todas as existentes, nenhuma se me afigura mais benemerita e de acção mais efficaz e de Caridade mais accentuada do que a dos bons e santos discipulos de D. Bosco, os Benemeritos Salesianos, a elles deixarei quase tudo que possúo, conforme adiante declaro.

E rogo a esses bons e verdadeiros servos de Deus, os Padres Salesianos que me façam esta grande Caridade, instituindo nesta terra uma obra completa.

Estou certo, não só por que conheço a indole deste povo aqui domiciliado, assim como das populações sertanejas que aqui frequentam e que por meio de bons conselhos tenho educado na pratica do Bem e do Amor a Deus e mais ainda por que o pedido que faço, estou certo, repito, que todos os romeiros aqui domiciliados ou de pontos distantes, como prova de estima e amizade a mim e em louvor e honra a Virgem Mãe de Deus, continuação a frequentar este meu amado Joazeiro, com a mesma assiduidade, e audiliarão aos Benemeritos Padres Salesianos, como se fôsse a mim proprio, para manutenção aqui da sua Obra de Caridade Christã, isto é, dos seus collegios, cuja existência desses mesmos Collegios nesta terra para todo e sempre, será a maior tranquilidade para minha alma na outra vida.
CONTINUA...

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sábado, 3 de janeiro de 2015

DESPEDIDA DO ÚLTIMO TREM DE PASSAGEIROS QUE ATUAVA EM MOSSORÓ

Por José Mendes Pereira

Quem passeou de trem indo para Governador Dix-sept Rosado, Caraúbas e outras cidades do Rio Grande do Norte, com certeza ainda sente saudades do balanço e da descontrolada zoada que fazia o  velho transporte.



O último trem com passageiros que ainda permanecia rodando sobre os trilhos, foi desativado de uma vez por toda, em um sábado, às 15:30, do dia 30 de Janeiro de 1988, ordem federal, e que muito fez falta às cidades do médio e Alto Oeste do Rio Grande do Norte.

A sua desativação, deixou muita saudade encravada no coração de cada mossoroense, ao saber que aquele trem que tanto colaborou pelo desenvolvimento de Mossoró, fora condenado a não mais pisar nas terras mossoroenses, e nunca mais colocaria as  suas rodas sobre os  trilhos.

Já bem próximo da sua ida sem volta, na Rua Melo Franco, muitos mossoroenses estavam atentos em suas casas, esperando o trem segui, e para verem-no pela última vez.


Os que trabalhavam na linha férrea das cidades como: Mossoró, Governador Dix-sept Rosado, Caraúbas, Jordão, Patu, Almino Afono, Mumbaça Demétrio Lemos Ulrick Graff, Alexandria, Santa Cruz, São Pedro, Sousa, sentiam um incômodo dentro do peito, em saber que durante muitos anos viveram em prol daquela máquina, e por último, só restava saber para onde iriam, já que o trem, infelizmente seguia para um lugar que nunca mais sairia de lá.

Faltavam poucos minutos para que o condutor levantasse a bandeira verde, ordenando que o maquinista partisse com o trem para o destino combinado pelos superiores da rede ferroviária; talvez iria gozar de sua aposentadoria em Sousa, na Paraíba; e os corações humanos aumentavam as suas batidas. Alguns deles nervosos, encostados às portas das suas casas, aguardavam-no, para levantarem as mãos e dizerem: "-Adeus nosso trem querido! Você muito nos serviu por várias décadas, agora chegou a vez de ir embora para nunca mais voltar!".

Pouco tempo, o trem foi ligado a sua máquina. Os vagões encarrilhados, um a um, também estavam proibidos de voltarem a esta terra que tanto os acolheu por anos e anos.


O maquinista posicionado à cabine, não dava nenhuma palavra, apenas olhava firme em direção aos trilhos que iriam aparecendo. O seu ajudante, permanecia  ao seu lado, com o olhar ao piso da máquina. O mecânico aproximou-se com uma mala cheia de chaves, e lá, a agasalhou em um vagão. E antes que descesse, bateu-lhe uma crise de choro. Os companheiros de trabalho acalentavam-no, pedindo-lhe que  tentasse controlar  a sua emoção. Mas o mecânico chorava descontrolado.

Finalmente, o trem que tanto rodou, deu o primeiro deslocamento sobre os trilhos, e partiu vagarosamente, recebendo o adeus de todos, que ao lado dos trilhos, esperavam a sua partida, e que nunca mais voltaria a esta terra.
 
A ponte da estrada de ferro no Rio Mossoró-RN, foi concluída no dia 7 de fevereiro de 1915, um dia de domingo e oficialmente em 19 de março de 1915 (sexta-feira), idealizada pelo suíço JOHAN ULRICH GRAFF. comerciante que fixou-se em Mossoró, em 1866, com seus companheiros Henrique Burly, Rodolfo Guyane e Conrado Meyer, este, também, suíço. Em 1868, Johan Ulrich abriu, na praça mossoroense, a Casa Graff, voltada ao comércio de importação e exportação. Na época da inauguração o prefeito de Mossoró era FRANCISCO VICENTE CUNHA DA MOTA (1914 - 1916) http://joatamaria-mossorovenezarn.blogspot.com.br/ 

O trem foi desaparecendo, e apenas se ouvia o seu apito sanfonado, como um choro de quem está partindo para bem distante de seus familiares. E a fumaça cobria um pouco a visão de quem o olhava.

Os que permaneciam ao lado da linha férrea, baixaram  os seus olhares, como se tivessem perdidos um  dos seus entes queridos. Mas mesmo assim, não paravam de acenar para ele.

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O trem seguia lentamente, porque era um desejo do maquinista, demorar mais um pouco, já que nunca mais iria manobrar aquela máquina tão importante na sua vida. As lágrimas deslizavam sobre a sua face magra e quente, provocado pelo o calor da temperatura da máquina.

Em um momento, o ajudante percebeu que o maquinista lacrimejava, e perguntou-lhe:

- Você Está chorando?

- Um pouco. Sinto um forte arrocho no meu coração, devido a  saudade que já estou sentindo, por quem não voltará comigo, deixou-me doente. Foram décadas que passamos juntos. Mais momentos bons do que ruins.

Infelizmente, o trem que tanto rodou sobre o chão de nossa cidade, que a engrandeceu, prestando os seus serviços, desapareceu dos trilhos e dos olhares mossoroenses. E alguns que haviam acompanhado a sua partida, no silêncio,  também lacrimejavam.


http://www.blogdogemaia.com/geral.php?id=146 

O trem se foi. Em todos os momentos de metros rodados, os olhares dos sertanejos que residiam próximo à linha férrea, acompanhavam-no. Animais, pássaros, árvores, todos estavam com os seus holofotes virados em sua direção, para despedirem-se do trem que nunca mais voltará a nossa querida Mossoró.

O adeus dos mossoroenses dirigidos a você, trem, ficou registrado na mente de cada um. Você se foi, e com certeza, está guardado sob um galpão, sujo, empoeirado e coberto por malditas crostas ferrugentas.

Minhas Simples Histórias 

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixe-me pegar outro.

Fonte:
http://minhasimpleshistorias.blogspot.com 

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